ando nervoso. de tão nervoso nem corro. nem morro. a taquicardia parece ser um reflexo de sobrevivência, o resistir à demência. é um reflexo que dói, para evitar que doa ainda mais depois.
ando tenso. de tão tenso nem penso. instalou-se um curto-circuito de estupidez gratuita mas fortuita: compreendo o porquê do desvio, o como do atrofio, o onde do doentio.
deixei de ser vadio, por uns tempos, em busca de paz recíproca, de base equívoca. enganei-me, não existe tal paz, não aqui, não. no resignar, no aceitar, no acomodar, no aconchego. não. no estagnar, no festejar do fim de semana. não. na embriaguez.
enferma, no sóbrio adormecido, no louco enternecido. não.
a taquicardia dói para não doer ainda mais depois. é um mecanismo de defesa físico. é o corpo a assumir o descontrolo da alma. é o grito biológico, o berro fisiológico, o rugir lógico para impedir o entristecer patológico.
é o não que os lábios não cospem.
é o não que as mãos não pronunciam.
é o não que não tiveram coragem de te dizer porque é mais fácil andar sedado no limiar do anestesiado.
não.
não gosto de sedativos. e é por isso que ando nervoso. porque me deixei sedar pelo azedar doce da fruta fora da época. agora nem para licor dá. talvez chá. com muito açúcar.
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